quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Timbuktu - um filme para ficar sem ar!

Sempre tive vontade de fazer comentários sobre os filmes que eu assisti, mas sempre me senti bastante constrangida de o fazer, já que não sou nem de perto uma especialista na Sétima Arte (aliás, lembro que esse blog é sobre todas as coisas das quais não sou especialista!).

Mas após assistir ao Timbuktu, filme dirigido por Abderrahmane Sissako, percebi que não poderia guardar para mim todas as impressões, emoções e dúvidas que surgiram em minha cabeça após os créditos começarem a rolar. 

Podia começar por muitos lugares, mas acho que um resuminho da história vem bem a calhar para quem quer convencer o outro a assistir a um filme: Timbuktu não é a história de ninguém, mas é a história de todo mundo. É a história de milhares de pessoas que vêm sendo submetidas aos conflitos desencadeados pela guerra religiosa que avassala especialmente a África Ocidental. É a história particular das pessoas que vivem na cidade de mesmo nome, onde está erguida uma das mais antigas (se não a mais antiga) Universidades do Mundo. É a história da luta do islã contra o islã, de grupos pertencentes ao Estado Islâmico que, em nome de uma suposta "guerra santa" (jihad) atropelam os quereres e os viveres alheios. Em nome de um Deus e de uma palavra que nem mesmo é consenso entre os islâmicos, os integrantes desse grupo obrigam mulheres a usarem véus cobrindo cabelos e pescoço, e também a cobrirem suas mãos com luvas, proíbem o futebol e até mesmo a reproduzirem e/ou cantarem qualquer tipo de música. 

Tá, Bárbara, isso eu já vi no Jornal Nacional, qual a novidade do filme? 

A novidade, ou melhor, o diferencial desse filme é a poesia que ele insere na leitura desse lugar tão peculiar, nesse contexto tão bruto e avassalador. Para além da fotografia (que é espetacular), o diretor teve a sensibilidade de explorar as muitas matizes e sutilezas das relações entre as pessoas que vivenciam esse contexto. A dualidade das pessoas que proíbem o futebol mas discutem se Messi ou Zidane são melhores, a avassaladora beleza do jogo de futebol sem bola, a profundidade da música cantada em um quarto escondido... É difícil elencar quantas analogias e reflexões a história propõe. 

Eu gostaria apenas de destacar uma, para não esgotar a novidade da ida ao cinema: a dificuldade de comunicação. O Mali é um país que surgiu após a colonização francesa na África Ocidental (século XIX), mas que abriga em seu interior diferentes etnias, dentre as quais se destacam os Bambara, os Fula e os Tuaregue, povo nômade do norte da África que foram responsáveis pela introdução do islamismo na região. Cada uma dessas etnias possui sua própria língua, somada ao francês do colonizador e ao inglês de alguns visitantes. Muitas cenas do filme destacam diálogos que precisam ser mediados por tradutores, sempre em situações de conflito: uma analogia muito bela para a falta de comunicação interior, para a falta de alteridade. 

Em resumo: tudo o que posso fazer é recomendar a ida ao cinema, e adicionalmente recomendar que seja levado um bom estoque de lenços. Demorei pelo menos cinco minutos após o final do filme para conseguir parar de chorar. De longe, um dos melhores filmes que já assisti!




Curando a Panela de Barro

A compra de uma panela de barro implica fazer um processo que é relativamente simples, mas pelo que observei na internet, algumas pessoas se complicam. Trata-se da cura da panela (basicamente, vedá-la com óleo).

Eu fiz uma mistura do que veio na instrução da panela e do que pincelei na internet, e deu super certo!

Para curar a panela, lave-a com água e sabão (nunca utilize Bombril).Quando ela secar, besunte toda a panela (por dentro e por fora) com azeite de oliva. Leve ao fogo com 1/2 copo de óleo misturado a 1/4 de copo de água, e deixe ferver por dez minutos. Durante esse processo, com uma espátula, vá besuntando as laterais. Desligue a panela, retire a mistura de água e óleo e deixe esfriar completamente antes de lavar.

Bom uso!



Vaca Atolada na panela de barro (à moda da Bárbara)

Voltei da Bahia com excelentes lembranças culinárias e, como amante da boa mesa que sou, mil ideias culinárias. Evidentemente que as moquecas comidas por lá me deixaram louca para comprar uma bela panela de barro e reproduzi-las no aconchego do lar. Assim, não tive dúvidas e a primeira que apareceu na minha frente entrou para coleção...

Curiosamente, não foi uma moqueca, mas uma bela Vaca Atolada que marcou a estreia da minha panela, já devidamente curada. Como acho a costela bovina muito gordurosa, fiz essa aqui com coxão mole (eu queria acém, mas infelizmente não tinha no mercado, e como decidi fazer no feriadão do carnaval, meu açougue favorito estava fechado).

Então, aqui vai a receitinha deliciosa! Vai muito bem com um feijão fresquinho (eu fiz com lombo salgado), arroz, couve e farofa de banana-da-terra.

Ingredientes


  • 800 kg. de carne em cubos (coxão mole ou acém);
  • 1 linguiça tipo paio cortado em fatias grossas.
  • 150 gr. de bacon em fatias.
  • 1 e 1/2 cebola picada.
  • 1 cabeça de alho (dentes grandes).
  • 1/2 talo de alho poró cortado em rodelas.
  • 1 tomate italiano picadinho.
  • sal e pimenta a gosto.
  • 1 xícara (chá) de vinho tinto seco.
  • 1 cubo de caldo de carne.
  • Óleo para refogar.
  • 500 gr. de mandioca cortada em pedaços.
  • Salsinha e cebolinha a gosto.
  • Água fervente para ir acrescentando durante o cozimento.
Modo de fazer

  • Tempere a carne com sal e pimenta do reino e reserve por pelo menos 30 min.
  • Aqueça bem a panela de barro, e refogue a cebola e o alho em um pouco de óleo.
  • Sele os cubos de carne (provavelmente vai juntar um pouco de caldo, mas não tem problema, porque no cozimento a carne vai ganhando cor).
  • Acrescente o paio, o bacon, o tomate e o alho poró e refogue mais um pouco. 
  • Junte o caldo de carne e o vinho, misture bem e acrescente água fervente até cobrir a carne. Tampe a panela e vá mexendo sempre, pelo menos a cada 10 minutos, para não grudar. Esse cozimento vai durar aproximadamente 2 horas. Acrescente água sempre que necessário.
  • Quando a carne estiver macia, acrescente as mandiocas picadas. Experimente o sal do caldo e, caso seja necessário, acrescente um pouco mais. 
  • A mandioca deve cozinhar lentamente, por aproximadamente 1 hora, até que comece a desmanchar, tornando o caldo cremoso. 
  • Desligue o fogo e acrescente a salsinha e a cebolinha. 


Bom apetite!

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Batata Rústica

Essa é a receita de Batata Rústica que eu fiz para acompanhar o delicioso Hambúrguer Caseiro (aqui). Ela vai bem com praticamente qualquer coisa, então, divirta-se!

Ingredientes


  • 4 batatas inglesas grandes;
  • Sal (gosto de usar o moído na hora);
  • pimenta do reino;
  • azeite de oliva (aproximadamente duas colheres);
  • 1 colher de sopa de alecrim.

Modo de fazer


  • Lave bem as batatas, preferencialmente com uma escovinha para tirar todas as sujeiras. 
  • Corte as batatas ao meio e, depois, cada metade em quatro tiras.Você deve manter as cascas: essa é a graça da bata rústica. 
  • Ferva as batatas em água com sal por aproximadamente 5 minutos e escorra. 
  • Coloque as batatas em uma assadeira anti-aderente e tempere com sal, pimenta do reino, alecrim e regue com azeite de oliva. Misture bem e leve ao forno pré-aquecido por aproximadamente 45 minutos. 
  • Depois é só se deliciar! 


Bom apetite!

Hambúrguer recheado de gorgonzola e cogumelo Paris com cebola caramelizada

Atenção, se você é cardíaco, tem colesterol alto, está dieta ou tem estômago fraco... suspenda essa leitura aqui.

Mas se sua cabeça opera, assim como a minha, na lógica da gordice... siga em frente e se divirta! Esse prato surgiu após uma semana sem comer carne. Óbvio que eu não podia ter escolhido nada mais leve né? Enfim... o Léo e eu adoramos hambúrguer, então, simplesmente nos deliciamos com essa receita! 

Ingredientes

Hambúrguer
  • 400 gr. de carne moída (alcatra/patinho - peça para moer duas vezes).
  • 1/2 cebola média finamente picada.
  • 5 dentes de alho picados ou amassados.
  • Salsinha picada (a gosto).
  • 2 colheres de creme de cebola.
  • sal e pimenta do reino à gosto.
  • 50 gr. de queijo gorgonzola amassado.
  • duas fatias grossas de gorgonzola.
  • 6 cogumelos do tipo Paris fatiados (observe se a marca comprada demanda fervura anterior). 
Cebola caramelizada
  • 1 e 1/2 cebola cortada em fatias grossas.
  • 1 colher de manteiga.
  • 2 colheres (sopa) cheias de açúcar mascavo;
  • sal a gosto. 
Para montagem

  • Pão de Hambúrguer;
  • Rúcula;
  • Tomate cereja;
  • Maionese (para caseira, clique aqui)

Preparo

Hambúrguer
  1. Em uma travessa, misture a carne, a cebola picada, o alho, a salsinha, o creme de cebola, o gorgonzola amassado e tempere com sal e pimenta a gosto. Cuidado ao acrescentar o sal porque tanto o gorgonzola quanto o creme de cebola já são salgados. 
  2. Deixe descansar por pelo menos meia hora. Divida em duas partes (caso queira fazer hambúrgueres menores, é só dividir mais). 
  3. Para cada bolinha formada, divida ao meio, faça um disco e recheie com a fatia de gorgonzola e o cogumelo. Feche com a outra metade e dê o formato de hambúrguer. 
  4. Grelhe em uma panela anti-aderente bem quente, no ponto desejado. Se desejar, acrescente fatias de queijo mussarela sobre o hambúrguer.


Cebola
  1. Doure levemente as cebolas na margarina e acrescente sal a gosto (não muito, só para dar uma temperadinha). 
  2. Acrescente duas colheres bem cheias de mascavo e vá mexendo sempre, por aproximadamente 15 minutos, até reduzir e as cebolas estarem bem murchas. 


Montagem

  • Passe maionese nas duas fatias de pão (preferencialmente caseira).
  • Na parte de baixo, acrescente uma porção de cebola caramelada.
  • Coloque o hambúrguer e, sobre ele, folhas de rúcula e tomatinhos cereja cortados ao meio.
  • Sirva acompanhado de batatas rústicas e um bom vinho (sim!!! Fica muito melhor do que com cerveja!).


Bom Apetite!

domingo, 1 de fevereiro de 2015

Farfale integral com legumes e queijo branco

Começando o meu desafio da semana sem carne, fiz um macarrão integral delicioso com legumes e queijo branco. Eu costumo fazer com certa frequência essa receita, mas procurei alterar alguns ingredientes para torná-la um pouco mais leve (não é exatamente light, mas bem mais leve do que uma normal).
Não tem todos os ingredientes em casa? Sem dor de cabeça: substitua pelo que tiver na geladeira. O importante é seguir o princípio da receita!

Ingredientes

  • 1 cebola média picada.
  • 7 dentes (grandes) de alho picado.
  • 1/2 talo de alho poró picado.
  • 3 col. Sopa de pimentão picado em cubinhos.
  • 1 cenoura picada em cubinhos bem pequenos.
  • 1 abobrinha italiana picada em cubinhos.
  • 100 gr. de cogumelos Paris fatiados.
  • 1 tomate picado (com sementes).
  • 3 col. sopa de azeitonas picadas.
  • 150 gr. que queijo minas frescal picado em cubinhos. 
  • 1 caixinha (200 gr.) De creme de leite leve ou creme de soja.
  • salsinha a gosto.
  • sal e pimenta a gosto (eu gosto de moer na hora). 
  • 200 gr. de massa integral (eu usei farfale - gravatinha).


Desafio da semana sem carne

O final de ano e as férias são definitivamente avassaladores para quem, como eu, partilha da paixão pela boa mesa.
Para além dos quilinhos extras, a sensação global pós sbórnia não é nada agradável: intestino funcionando irregularmente, cansaço extremo, falta de concentração, etc, etc, etc.
Não sou adepta às dietas (para o bem ou para o mal) e sou avessa às comidas sem graça! Assim, decidi fazer, nessa semana, uma desintoxicação começando pela carne.
Não vou virar vegetariana (não mesmo), mas acho que o excesso nunca ajuda o nosso organismo. Assim, vou propor um cardápio sem carne, mas sem perder o sabor, e vou publicar as receitas aqui.

Alguém ai aceita o desafio?

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Bolo de Pão de Mel

Acho que não posso ser só a sentir prazer ao comer docer, né? Imagino que não! Eu tenho uma mentalidade voltada para a culinária. Simples assim, lançou a ideia, eu já começo a planejar como vou fazer o prato, que tipo de adaptação farei na receita para dar certo, quando farei, para quem servirei! 
Esse bolo de pão de mel surgiu na minha vida um domingo, quando o Léo, meu esposo, chegou da padaria falando que havia visto lá um bonito bolo de pão-de-mel e que ficou com vontade. Não tive dúvidas: corri atrás de uma receita, dei aquela adaptada marota, e ficou simplesmente divino! E como é pecado comer escondido, aqui está a receita do delicioso bolo, que além de tudo é super fácil de fazer. . 

Bolo de Pão de Mel

Ingredientes
  • 1/2  xícara (chá) de mel
  • 1 xícara (chá) de açúcar mascavo
  • 2 potes de iogurte natural (aproximadamente 360ml.) 
  • 1 col. (chá) de canela em pó
  • 1 xícara (chá) de chocolate em pó
  • 1 col. (chá) de fermento em pó
  • 1 col. (chá) de bicarbonato de sódio
  • 2 xícaras (chá) de farinha de trigo
  • ~1/2 xícara de leite esquentado com 12 cravos da índia para regar o bolo
  • doce de leite cremoso para o recheio
  • 180 gr de chocolate meio amargo
  • 200 gr de creme de leite

Modo de fazer

  1. Unte uma assadeira média e polvilhe com farinha. Ligue o forno para ir aquecendo a 200º.
  2. Em uma tigela grande, misture o mel, o açúcar mascavo, o iogurte, a canela em pó. 
  3. Acrescente o chocolate em pó e misture.
  4. Aos poucos, acrescente a farinha de trigo, o fermento e o bicarbonato. Você pode mexer esse bolo com uma colher de pau ou fouet, não é necessário utilizar a batedeira. 
  5. Despeje na assadeira untada e leve ao forno médio-baixo por aproximadamente 30 min. ou até que o bolo tenha crescido e ao espetar um palito ele saia seco. Atenção: essa receita tem um tempo de cozimento bastante rápido. 
  6. Retire o bolo do forno e deixe esfriar. Corte em duas metades, e regue com a mistura de leite e cravo. é bom aquecer esse leite com o cravo dentro para saborizar. Recheie com o doce de leite e, para a cobertura, derreta uma barrinha de chocolate meio amargo (aproximadamente 180 gr.) e misture ao creme de leite. 
Dica: caso queira, você pode acrescentar nozes à sua receita. Fica delicioso! 
O bolo fica mais gostoso quando levado à geladeira. 



Dos prazeres da vida

Esse Blog foi criado com um único intuito: partilhar os prazeres dessa vida com todas e todos que possam se interessar.

Beirando os trinta anos, e começando a ter uma certa crise relacionada ao peso do que significa essa idade, decidi criar um espaço de compartilhamento de experiências vividas, reunindo aqui as coisas que me fazem bem: literatura, cinema, boa mesa, viagens. É um blog de muitas coisas, pois assim são os prazeres: eles não vêm de uma única fonte.

Pode parecer uma grande presunção: e é. Não sou crítica de cinema, nem de literatura, muito menos chef de cozinha. Sou penas uma indivídua estimulada pela vida a ser mais, e a partilhar o que sei (ainda que pouco) com o mundo.

Esperando proporcionar momentos de prazer a quem se interessar pelas dicas, sugestões e experiências partilhadas, começo esse blog com um poema que representa esse meu estado de espítito.

Boa leitura!

Retrato do artista quando coisa
Manoel de Barros

A maior riqueza
do homem
é sua incompletude.
Nesse ponto
sou abastado. 
Palavras que me aceitam 
como sou
- eu não aceito.
Não aguento ser apenas
um sujeito que abre
portas, que puxa
válvulas, que olha o
relógio, que compra pão
às 6 da tarde, que vai
fora, que aponta lápis, 
que vê a uva etc. etc.
Perdoai. Mas eu 
preciso ser Outros. 
Eu penso
renovar o homem
usando borboletas.